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LAPINHA / SOLEDADE

Localizado entre a Liberdade e a Soledade, o bairro da Lapinha se caracteriza por seus casarões antigos e suas ruas estreitas por onde flui uma brisa constante, fruto da sua localização no alto da cidade. Outra característica do bairro é a sua vocação festiva representada na Festa de Reis e nas comemorações do Dois de Julho. A Igreja da Lapinha, fundada em 1771, está localizada no largo com mesmo nome, ao lado do Pavilhão Dois de Julho, onde estão guardados os carros do Caboclo e da Cabocla que simbolizam a participação popular na luta pela independência da Bahia. A participação militar neste movimento está representada no busto que homenageia o General Labatut, francês que lutou ao lado dos brasileiros.
O bairro da Soledade tem em sua história os mesmos méritos que o vizinho Lapinha no que diz respeito a sua participação no Dois de Julho; no Largo da Soledade encontramos a estátua da maior heroína deste movimento, Maria Quitéria. Apesar do passado de batalhas, o bairro hoje respira tranqüilidade. Por trás da fachada dos seus velhos casarões é possível encontrar núcleos habitacionais como as vilas Graciosa, Lourdes, Wlisséia e Vista Mar. Por sinal a vista para a Baía de Todos os Santos é de dar inveja a muitos bairros nobres da cidade.

 

 
Área
LIBERDADE
 
Depoimentos
”Lapinha. Muito bem. O que é uma lapinha? O que é uma lapa pequena em termos de religião católica? É um presépio. Onde é que Cristo nasce? Numa manjedoura. Uma lapinha, quem é do interior aqui sabe que ninguém fala presépio, fala lapinha mesmo. Uma lapinha é um presépio.
Quando os padres iniciaram a devoção ao Menino Deus, criou-se a capela da Lapinha e então o nome permaneceu. Era o limite norte da cidade no século XIX, tanto que até hoje, o exército libertador, o exército do Dois de Julho entra na cidade a partir da Lapinha, da Lapinha para a Liberdade era o interior. Então, a homenagem ficou, ingressa-se na cidade a partir da Lapinha, a partir dali é que as forças de 1823 ingressaram na cidade.” (Cid Teixeira)
www.cidteixeira.com.br
 
Na Mídia
:: DESFILE E CORPO A CORPO NA LAPINHA
A TARDE, 06.01.2005, Local, p.4, Ceci Alves
:: LAPINHA GANHA PRESÉPIO À BAIANA
A TARDE, 16.12.2004, Local, p.5, Sylvia Verônica
:: GRANDE DESFILE CONDUZ CABOCLOS À LAPINHA
TRIBUNA DA BAHIA, 06.07.1971
:: HISTÓRIA E TRADIÇÃO DE FESTAS
TRIBUNA DA BAHIA, 5 e 6.01.2002, p.11, Renato Santos
:: CONHECE TUA CIDADE
A TARDE, 16.05.1959, Caderno1, p.2, José Valadares
:: SOLEDADE FOI TOMBADA
A TARDE, 30.12.1979
 
Atrativos
-LARGO DA LAPINHA

Com a intervenção de Padre Pinto, pároco da Igreja da Lapinha até 2005, a praça em frente virou espaço de instalações. É a Lapinha em festa constante com o monumento alegre aos Reis. Atrás do centro educacional da paróquia, uma revelação: um Cristo Brasileiro, negro e índio ao mesmo tempo, de braços abertos e voltados para o mar. As instalações têm o objetivo de trazer o catolicismo para a realidade local, criando uma forma católica mais brasileira e engajada com a cidadania.

-O PAVILHÃO DOIS DE JULHO

Desde agosto de 1923, os carros do caboclo e da cabocla ficam guardados no Pavilhão Dois de Julho, inaugurado por iniciativa do Instituto Geográfico e Histórico.
O caboclo e a cabocla são ícones da participação popular nas lutas pela independência baiana. Na época, a escravidão ainda vigorava e a influência negra ainda não era devidamente reconhecida. Ao longo do tempo, os baianos começaram a atribuir um sentimento afetivo e até religioso aos personagens.
Tudo começou na antiga Estrada das Boiadas. Por onde passavam os bois que iam para o abatedouro no Retiro, passaram também as tropas do Dois de Julho de 1823. No final do percurso, o sacrifício dá lugar à libertação e a rua ganha o nome de glória: Estrada da Liberdade.

-OS CASARIOS DA LAPINHA

Comuns no final do século XIX, construções com influência portuguesa, edificadas desde o início do ciclo do ouro, eram chamadas de solar. São edificações como essas que formam o cenário arquitetônico da região da Lapinha, a mais antiga do bairro da Liberdade. As edificações, feitas na sua maioria com tijolo massapé de cor alaranjada, possuem, comumente, dois andares. No térreo, ficam a sala, a cozinha, o banheiro e uma área chamada de copa. Já no andar superior, ficam os quartos, geralmente dois ou três, além de um sótão, pouco usado pelas famílias que ainda habitam os casarões. Esses casarões são de um período bem posterior ao do Brasil Colônia, mas preservam a antiga influência portuguesa, como o solar que abriga a Funerária Cristo Rei, em frente ao largo da Soledade, uma construção de 1923. Outro casarão histórico é o da escola Vila Vicentino, de 1920. A escola é composta por dois casarões, com dois andares cada um, e um sótão, além de duas casas menores. Uma das maiores edificações do local abriga, há mais de 30 anos, uma padaria. O prédio, denominado Armazém Transwall, era local de estoque de produtos alimentícios, comercializados na parte frontal. Por fim, uma das edificações historicamente mais importantes é o Pavilhão Dois de Julho, no largo da Igreja da Lapinha, a casa que abriga os carros do caboclo e da cabocla, símbolos da participação popular na independência baiana.

-PARÓQUIA DA LAPINHA

Na Lapinha, funcionava uma capela de São Cosme e Damião em estilo colonial. Desde então já havia o Terno de Reis, trazido pelos colonizadores. Em 1972, a capela foi instituída como Paróquia, com traços góticos e coloniais, em devoção a Nossa Senhora da Conceição da Lapa. A estética do seu interior lembra uma mesquita. São as influências mouras deixando marcas na Liberdade. Sabe-se que até 1948 trabalhavam ali religiosos agostinianos regoletos, entre os quais um era arquiteto.
A Festa de Reis da Lapinha existe desde a criação da capela. Conforme padre José Pinto, ex-pároco da Igreja da Lapinha, a data remete ao episódio descrito no Evangelho de Mateus sobre a visita dos Reis Magos ao estábulo onde Jesus nasceu, daí o nome da festa. A visita dos Reis Magos no nascimento de Jesus simboliza a solidariedade, a fraternidade e o carinho entre as pessoas. Dessa forma, os Ternos de Reis surgem com um propósito espiritual de reviver a atitude dos Magos na visita ao menino Jesus. Ao mesmo tempo, se desenvolvem enquanto grupos culturais com seus estandartes e vestimentas criativas. Os ternos adquirem características diferenciadas de acordo com a região onde surgem.

-IGREJA E CONVENTO DE N. S. DA SOLEDADE
Situados no alto da ladeira da Soledade, o Convento e Igreja formam com os sobrados vizinhos (Séc. XIX) um dos mais belos e homogêneos conjuntos urbanos de Salvador. A vertente da Soledade do Vale do Queimado, para onde está voltado o fundo do convento, integra o sistema de Áreas Verdes de Salvador (GP-2), segundo Decreto Municipal n° 4.551 de 23.11.1973.
À primitiva ermida de N.S. da Soledade foi anexada, no século XVIII, um recolhimento para mulheres, desenvolvido em torno de um claustro retangular. O convento possui sub-solo, dois pavimentos sobre a rua e mirante com mais três pisos. Além do claustro, possui pátio secundário de forma alongada e vários apêndices. A igreja apresenta dois estreitos corredores ao longo da nave e uma sacristia transversal muito exígua. Possui arcas de jacarandá na sacristia e grande quantidade de alfaias de prata cinzelada, dentre as quais se destacam crucifixo, custódia, sacras, estante e naveta.
Construção convencional desenvolvida em torno de um claustro retangular com igreja ocupando o "quarto" esquerdo. O convento apresenta um mirante, elemento encontrado em outros monastérios baianos de freiras do século XVIII, como Desterro e Lapa. O mesmo traço é encontrado em conventos portugueses de Lisboa, Évora e Ponta Delgada, na arquitetura civil luso-brasileira e especialmente na açoriana. A igreja apresenta nave única e corredores laterais conduzindo a uma sascristia transversal. Embora derive da planta típica das igrejas baianas do começo do século XVIII, difere destas por não possuir tribunas e ter a torre recuada com relação ao plano da fachada, disposição adotada com frequência nos conventos franciscanos do Nordeste. Embora sua torre seja original, a fachada rococó tardia é provavelmente do século passado. A fachada do Convento foi modificada neste século.
Histórico arquitetônico: 1736 - Chega à Bahia o padre jesuíta Gabriel Malagrida com a idéia de fundar um recolhimento para jovens. O local escolhido situava-se junto a uma antiga ermida dedicada a N. S. da Soledade, sobre a qual apenas se sabe que "foi edificada por diversos particulares no tempo em que todo aquele lugar se chamava Queimado"; 1738/39 - No terreno cedido pela irmandade que regia a ermida, Gabriel Malagrida iniciou a construção do recolhimento da Regra de Santa Ângela de Bréscia, apoiado pelo arcebispo D. Fr. José Fialho e pelo Governador Conde de Atouguia, apossando-se da ermida sob protesto da Irmandade. O estabelecimento, gerido por uma confraria cujos membros eram chamados pelo povo de "malagridas", compreendia um recolhimento para "arrependidas do meretriciado e donzelas pobres" e uma casa religiosa da Ordem das Ursulinas do Sagrado Coração de Jesus; 1751 - Autorização régia de 23 de março para transformação do recolhimento em casa de professoras, o que foi posto em prática em 1752.
Fonte: Cd-room IPAC-BA: Inventário de proteção do acervo cultural da Bahia, Bahia, Secretaria de Cultura e Turismo.

-IGREJA DE SÃO FRANCISCO DE PAULA
Situa-se a meia altura da ladeira que liga os bairros da Lapinha e Água de Meninos. A igreja forma com pequenas casas (Séc. XIX) escalonadas na encosta um dos mais pitorescos e característicos conjuntos da cidade de Salvador.
Arquitetura menor, de valor principalmente ambiental. Igreja com corredores laterais superpostos por tribunas. O do lado direito é de construção recente (vide Falcão, E. C. - Relíquias da Bahia), fachada singela, sem torres. Não possui, atualmente, nem altares nem imagens, por terem sido retirados em consequência do estado de arruinamento e abandono. Há notícias de que possuía duas estátuas de seu padroeiro, uma atribuída a Bento Sabino dos Reis e outra a João Guilherme da Rocha Barros.
A igreja é uma construção inacabada do final do século XVIII. A julgar pelos elementos originais da fachada, ela teria sido projetada segundo o modelo corrente no século XVIII, isto é, nave central com corredores laterais superpostos por tribunas. Esta disposição se refletia em elevação na fachada tri-partida, formada pelo corpo central flanqueado por duas torres sineiras. A construção, totavia, parou no nível da cornija, não tendo sido executadas nem as torres nem o frontão. O corredor lateral direito só foi executado em data recente, embora pareça ter sido previsto originalmente. Sua planta, que se inscreve num retângulo perfeito, ainda não apresenta sacristia transversal, e é o desenvolvimento natural do partido em "T" (vide Palma) adotado no século XVII. Outras igrejas baianas apresentam a mesma planta como: Saúde, São Bartolomeu de Pirajá, Aflitos etc.
Histórico arquitetônico: A capela foi construída em fins do século XVIII pelo padre Antônio Borges Monteiro. 1819 - Faleceu o seu fundador que deixa todos os seus bens, inclusive capela, sob a administração de Theotônio de Amorim Falcão, na condição de que ele passasse a seu sobrinho, caso este se ordenasse, ou a um padre da Ordem de São Francisco de Paula que algum dia chegasse à Bahia. Como nenhuma das duas hipóteses tenha se realizado, a administração foi confiada ao Desembargador Joaquim Anselmo Alves Branco, que era juiz de capelas, passando-a a um sobrinho seu e com a morte deste, à Fazenda Nacional; 1843 - Os irmãos da confraria de N. S. Mãe dos Pobres requerem licença para passar esta devoção à dita capela, o que foi concedida. Criou-se, pouco depois, a Irmandade de S. Francisco de Paula.
Fonte: Cd-room IPAC-BA: Inventário de proteção do acervo cultural da Bahia, Bahia, Secretaria de Cultura e Turismo.
 
 
 
 
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